terça-feira, 29 de julho de 2014

Não é ignorância. É coerência.

Recomendo a leitura do artigo publicado hoje (29 de julho) por Cláudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil, no jornal Folha de S. Paulo.

Título do artigo: "Antissionismo é antisemitismo".

Neste artigo, Lottenberg afirma que o único caminho para paz é reconhecer dois Estados para dois povos

Ao menos em tese, portanto, Lottenberg reconhece que os palestinos têm os mesmos direitos que os israelenses. Portanto, os palestinos têm direito a ter seu Estado, sua soberania, seu território e uma vida em paz.

Mas se é assim, por quais motivos o governo de Israel vem solapando continuamente toda e qualquer possibilidade dos palestinos usufruírem daqueles direitos?

Certas justificativas são conhecidas: acusar os palestinos, ou parte deles, ou seus aliados, de "atirar a primeira pedra" e de "antissemitismo".  

Estas acusações deixam alguns na defensiva, especialmente aqueles que esquecem (ou preferem não lembrar) que a Palestina está sob ocupação. 

E que, portanto, errados ou certos nas táticas que adotam e nos discursos que fazem, todos os palestinos estão no seu legítimo direito de lutar contra tropas de ocupação.

Evidentemente, quem apoia o direito à autodeterminação dos palestinos não tem como negar o mesmo direito à autodeterminação dos israelenses. Isto obviamente vale para quem defende a solução dos dois Estados; e o mesmo princípio deve valer inclusive para quem defende a solução de um único Estado democrático.

O governo de Israel, sabendo disto, alega que seus ataques contra a Palestina são exercício do legítimo "direito de defesa". Portanto, bombardeiam Gaza em defesa da soberania nacional e do direito à autodeterminação contra... os que desejam destruir Israel e os judeus.

Este argumento poderia ser honesto, não existissem os assentamentos ilegais, não existisse o Muro, não existisse a ocupação. 

Mas como a ocupação da Palestina por Israel existe, do ponto de vista do direito internacional a única "legítima defesa" é aquela exercida pelos palestinos. Pois a violência cometida pelo governo de Israel visa manter a ocupação.

A verdade é que o governo de Israel trabalha com base na seguinte premissa: a existência e a sobrevivência de Israel dependem da ocupação da Palestina. Portanto, dependem de impedir que haja dois Estados convivendo em igualdade de condições.

Sendo esta a premissa fundamental, não admira que sobre ela se erga uma "ideologia" nacionalista, racista e fundamentalista. A saber...o sionismo

Gaza não recorda Guernica por mero acaso: o sionismo, nacionalista e racista, tem suas afinidades eletivas com o nazismo, por exemplo na medida que ambas "ideologias" conferem direitos mais-do-que-super-especiais a uma parte dos seres humanos, em detrimento de outros.  

Neste sentido, é puro diversionismo a afirmação que Lottenberg faz em seu artigo: a de que até hoje os palestinos pagam por alianças que seus líderes teriam feito com a Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. 

Especialmente vindo de um governo que tem recebido apoio do governo alemão para as barbaridades que comete em Gaza, este argumento não passa de cortina de fumaça... e ato falho, pois no fundo o sionismo moderno usa as atrocidades cometidas pelos nazistas como uma espécie de "licença para matar". 

Uma espécie de retaliação a posteriori, evidentemente não contra os nazistas, seus descendentes e aliados, mas contra inimigos muito mais frágeis: uma valentia bem pós-moderna.

Se antissemitismo é igual a antissionismo, então a defesa de Israel exige a defesa do sionismo. Mais ou menos como equiparar a defesa da Alemanha com a defesa do nazismo. Totalitarismo ideológico e estupidez, que só reforçam a certeza de que os maiores inimigos da sobrevivência de Israel são os fanáticos que dirigem o governo de Israel.

Seja como for, não se trata de ignorância, mas de coerência: a aposta destes fanáticos é tudo ou nada numa guerra sem fim. Uma aposta perigosa para eles e para todo o mundo. 




Plano de aula sobre "história da luta pelo socialismo"

Jornada de formação da AE
Plano de aula sobre "história da luta pelo socialismo"

-dia 30 de julho, noite

Roda de conversa com os participantes, para identificar quais os temas que cada participante considera prioritário desenvolver.

1) surgimento e desenvolvimento do capitalismo;

2) como a luta de classes no capitalismo cria as condições objetivas e subjetivas para uma sociedade baseada na propriedade social dos meios de produção (e como, ao mesmo tempo, cria as condições para a continuidade do capitalismo e também para a "destruição das partes em luta");

3) a diferença entre transição socialista e modo de produção comunista;

4) a luta pelo socialismo, as reformas no capitalismo e as revoluções socialistas;

-dia 31 de julho, manhã

5) as revoluções burguesas de 1789 a 1848, as várias correntes socialistas e o surgimento do marxismo;

6) a Comuna de Paris e o surgimento da social-democracia;

-dia 31 de julho, tarde

7) as revoluções russa de 1905 e 1917, o "imperialismo", a primeira guerra mundial,  e o surgimento do comunismo;

8) as derrotas da revolução na Europa, a crise de 1929, a guerra civil espanhola e o surgimento das "dissidências comunistas" (esquerdismo, luxemburguismo, Trotsky, Gramsci);

9) segunda guerra mundial, regimes "democrático-populares" no Leste Europeu, as vitórias da revolução chinesa de 1949 (Vietnã, Coréia) e da revolução cubana de 1959: os "diferentes caminhos" para o socialismo;

10) o Estado de bem-estar social na Europa, a social-democracia (em sua versão "oficial" e em sua versão de esquerda), vis a vis o que acontece na periferia (imperialismo colonial, imperialismo capitalista);

11) nos Estados Unidos...

-dia 31 de julho, noite: 

Documentário A Batalha do Chile

-dia 1 de agosto, manhã

12) a crise dos 1970, a reação dos EUA e o impacto sobre os demais;

13) a derrota das guerrilhas, da experiência da Unidade Popular chilena, da social-democracia e do socialismo soviético: a explosão do movimento comunista, a virada neoliberal da social-democracia, os impasses do nacionalismo e do desenvolvimentismo;

-dia 1 de tarde:

14) o imperialismo capitalista moderno, a crise do neoliberalismo, avanços e dificuldades do movimento socialista

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Truques do "gigante"



O governo de Israel é usuário tradicional do seguinte "truque": "exigir" que nos lembremos das "agressões terroristas" de que foram "vítimas".

O governo brasileiro é uma das vítimas deste  "truque": toda nota acerca do conflito Israel/Palestina tem que condenar uns e outros.

E quando "esquecemos" de fazer isto, viramos "anões".

Ou "aliados dos terroristas", coisa de que já fui acusado, numa ofensiva anterior contra Gaza, por conta de uma nota que eu e o então presidente do PT Ricardo Berzoini assinamos.

O governo brasileiro agiu certo ao criticar as agressões cometidas por Israel, assassinando civis. E agiu mais certo ainda chamando nosso embaixador para consultas.

Cabe lembrar: Israel ocupa a Palestina.

Portanto, os palestinos têm todo o direito de lutar contra a ocupação.

E não conheço um único caso onde a luta contra a ocupação não tenha sido acusada de "terrorismo"  pelas forças de ocupação.

Não estamos diante de uma guerra desigual entre dois Estados.

Estamos diante de uma luta desigual entre um exército de ocupação e diferentes setores de um povo ocupado.

Posso não gostar das atitudes deste ou daquele setor.

Mas nunca, nunca, podemos esquecer que são atitudes de quem está há décadas submetido a ocupação.

Por isto, espero que sejamos mais "anões" ainda e rompamos relações diplomáticas. O governo de Israel precisa ser isolado.

domingo, 20 de julho de 2014

Desproporcional?

O governo brasileiro e o Partido dos Trabalhadores divulgaram, recentemente, notas condenando o ataque de Israel contra Gaza.

Nestas e noutras, aparece o termo "desproporcional".

O uso deste termo é compreensível, dada a disparidade do poder de fogo e na distribuição de mortos e feridos.  

Mas o uso do termo "desproporcional" pode passar a impressão de que a diferença fundamental entre Israel e Palestina é militar.

E não é.

A diferença fundamental é a seguinte: Israel ocupa a Palestina.

As tropas de Israel são tropas de ocupação.

Os palestinos têm todo o direito de lutar contra a ocupação. 

Portanto, não se trata apenas de desproporcionalidade militar, mas do propósito das ações militares: de um lado, um exército de ocupação; de outro lado, a luta pela libertação nacional.

Anexo

MENSAGEM DE CLAUDIO LOTTENBERG, PRESIDENTE DA CONIB
Devido à entrevista que concedi à jornalista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, tenho recebido críticas e elogios.
Gostaria, com humildade e um sentimento de prestação de contas à comunidade - à qual me dedico desde a juventude -, comentar as críticas.
Primeiramente, desejaria enfatizar que as recebo com espírito democrático. Habituei-me, ao longo de minha trajetória profissional e comunitária, a aprender com opiniões contrárias.
Em segundo lugar, gostaria de destacar que, em algumas das críticas, é mencionado um suposto pedido de desculpas. Não fiz isso. Lamentei a linguagem utilizada pelo porta-voz. Achei-as deselegantes, pois criticaram o Brasil, o país como um todo, ao chamá-lo de irrelevante.
O porta-voz, como é hábito na diplomacia, poderia dirigir críticas a um governo e a sua política externa, não a um país, encampando toda sua história e toda a sua população.
E, ao recorrer à ironia, equivocou-se. É difícil e incômodo admitir, mas não há como tapar o sol com a peneira.
Suas declarações geraram mal-estar em diversos setores da sociedade brasileira. Não foi apenas no plano do governo federal.
Como presidente da Conib, tenho a responsabilidade de zelar por nossa comunidade e pela intensificação dos laços entre Brasil e Israel.
Gostaria de enfatizar também que não me afastei  um milímetro das posições assumidas pela Conib desde o início do conflito. Reiterei sempre que não aceito a tese da desproporcionalidade, sustento o direito de Israel se defender e mantenho a crítica às últimas atitudes do Itamaraty, como expressam as notas divulgadas pela Conib.
De qualquer maneira, despeço-me agradecendo as sugestões e as críticas.
E diria ainda que, neste momento de desafios históricos, precisamos manter nossa coesão, sem abrir mão do exercício de crítica. Precisamos encarar a responsabilidade nas tarefas absolutamente fundamentais de defender o Estado de Israel e combater o antissemitismo. Fazemos tudo isso em nome de nossos filhos, dos filhos de Israel e de todo o povo judeu.
Claudio Lottenberg
Presidente da Confederação Israelita do Brasil







sexta-feira, 18 de julho de 2014

Não teve hexa. Mas teve Copa!

http://www.pagina13.org.br/publicacoes/saiu-o-pagina-13-de-julho-2/#.U8lXWpRdXrA

Editorial
Não teve hexa. Mas teve Copa!
Sem poder falar do futuro que pretendem construir e sem poder falar do seu próprio passado – quando implementaram no Brasil o programa neoliberal - o que resta para a oposição de direita é criticar “tudo isto que está aí”, combinando a denúncia de problemas (reais ou não), a manipulação midiática e a sabotagem ativa, para criar um ambiente de crise, deterioração e caos.
Por isto o oligopólio da mídia anda tão crítico quanto à realidade brasileira.
Por isto falaram que “não vai ter Copa”, por isto torceram abertamente para que ocorresse algum desastre que prejudicasse a competição, por isto tentaram (ainda que sem sucesso) “capitalizar” os xingamentos à presidenta no jogo deabertura, por isto comemoraram a eliminação da seleção brasileira, por isso (e não por razões futebolísticas) direcionaram suas simpatias à Alemanha na final.
O objetivo do oligopólio da mídia era e segue claro: reforçar o ambiente negativo do qual se nutrem as candidaturas da oposição de direita.
Deste ponto de vista, não tiveram êxito: não teve hexa, mas teve Copa, que segundo muitos especialistas,dentro e fora do Brasil, foi das melhores realizadas até hoje. Por isto, embora já exista gente cobrando o atraso nas obras das Olimpíadas (!!!), este flanco está defendido, ainda que se faça necessário um balanço do conjunto da obra, pois a condução das obras, as concessões à Fifa, o estado da CBF, o desempenho do time e “principalmente” a composição social predominante nos estádios merecerá muita reflexão e principalmente medidas concretas.
Para além da Copa, a questão para o governo e para o PT não está apenas na defesa (geralmente mal conduzida), mas no ataque. Como demonstram vários textos desta edição de Página 13, a linha geral da campanha não está à altura do objetivo de reeleger Dilma em condições dela realizar um segundo mandato superior ao primeiro.
E por falar em reação à altura: Página 13 se soma a todos os que repudiam os ataques do governo de Israel contra a população palestina residente na Faixa de Gaza.
Para este ataque, o pretexto foi o assassinato de três jovens israelenses.
Não fosse este, seria outro. Pois o que está em jogo é inviabilizar o Estado, roubar o território e exterminar a população da Palestina.
Como sempre ocorre, há quem critique o ataque de Israel contra Gaza como “desproporcional”. Não sabemos se esta palavra foi usada a respeito de Guernica, Lídice e Varsóvia. De nossa parte, preferimos falar outra coisa: assassinato deliberado contra civis é crime de guerra.
Nisso, o modus operandi do governo de Israel é similar ao dos nazistas. E quem não denuncia isto age de maneira similar aos colaboracionistas.
http://www.pagina13.org.br/publicacoes/saiu-o-pagina-13-de-julho-2/#.U8lXWpRdXrA

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Nota da direção nacional da AE sobre prisões no RJ

Prisões no RJ violentam a Democracia. Liberdade já para
os que ainda estão presos! Estado de Exceção nunca mais!

As prisões de dezenas de pessoas realizadas no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, por ordem de um juiz, a pretexto de evitar sua eventual participação em possíveis manifestações contra a Copa do Mundo, são uma clara violação das liberdades democráticas.

Nosso país conquistou a derrubada da odiosa Ditadura Militar, que o oprimiu por mais de duas décadas, por meio de greves, passeatas e manifestações populares.

Por isso mesmo, repudiamos o Estado de Exceção que vem caracterizando a atuação do aparato repressivo em algumas unidades da federação, como Rio de Janeiro e São Paulo. Repudiamos a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, bem como as sistemáticas agressões de policiais militares a jornalistas e comunicadores que registram a barbárie disseminada pelas tropas da PM.

Também por isso, deploramos as desastrosas manifestações do ministro da Justiça e do Advogado Geral da União de apoio a essas prisões. O governo não pode se fiar nas declarações dos mentores do Estado de Exceção, nem dar qualquer tipo de suporte a violações dos direitos humanos.

Esperamos que os ativistas e outras pessoas que ainda se encontram presas sejam imediatamente soltas. Chega de Estado de Exceção. Terrorismo de Estado nunca mais!

Brasília, 16 de julho de 2014

Direção Nacional da Articulação de Esquerda
Tendência do Partido dos Trabalhadores

http://www.pagina13.org.br/resolucoes-e-documentos-da-ae/nota-da-articulacao-de-esquerda-sobre-prisoes-no-rj/

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Editorial da Esquerda Petista 2

http://www.pagina13.org.br/publicacoes/saiu-o-n-2-da-revista-esquerda-petista/#.U8PaZZRdXrA

Iniciamos repetindo o editorial da edição anterior: embora seja uma revista editada sob responsabilidade da Articulação de Esquerda, Esquerda Petista não é “porta-voz” da tendência. Cada autor é responsável pelo que escreve, e suas posições não precisam coincidir necessariamente com as posições da tendência. Até porque nossa revista é aberta a militantes que, sendo de esquerda, não são integrantes da AE.

Esquerda Petista busca circular na intelectualidade de esquerda em geral, especialmente aquela vinculada ao PT. Entendendo por intelectualidade os dirigentes que “formam a opinião” da classe trabalhadora.

Editorialmente, Esquerda Petista busca travar o debate de maior fôlego ideológico, teórico, programático e estratégico, sobre um conjunto de assuntos: o capitalismo do século 21, a crise internacional, a integração regional e nossa política externa; a análise do capitalismo e a luta pelo socialismo no Brasil, a luz das tentativas feitas ao longo do século 20; a discussão sobre programa e estratégia, incluindo rumos do desenvolvimento e meio-ambiente, políticas públicas universais e reformas estruturais; educação, cultura e comunicação na luta por hegemonia; os debates de fundo acerca da conjuntura e tática; o balanço dos governos encabeçados pelo PT, em âmbito nacional, estadual e municipal; as diferentes manifestações da luta de classes, incluindo eleições, movimentos e lutas sociais; as questões de gênero, raça e orientação sexual; a análise crítica do conteúdo da mídia (TV, rádio, internet, revistas teóricas e políticas, livros); resenhas de livros e outras publicações; e um acompanhamento do debate acerca do PT e do conjunto da esquerda brasileira.

Cumprindo o compromisso assumido, esta segunda edição de Esquerda Petista começa a circular durante a plenária estatutária da Central Única dos Trabalhadores. E tem como “eixo temático” exatamente
a classe trabalhadora brasileira. Assunto urgente, pois há na esquerda quem insista no erro, chamando de “classe média” os setores da classe trabalhadora que, desde 2003, vem ampliando sua capacidade de consumo.

Aliás, entre os desafios imediatos da classe trabalhadora brasileira, está a reeleição de Dilma Rousseff presidenta da República.

Aos que lamentam a moderação deste e de governos anteriores, e aos que tem dúvidas sobre o que será um quarto mandato presidencial, sugerimos observar o que diz e principalmente o que faz a direita brasileira, o oligopólio da mídia, os governos imperialistas e o grande Capital. Esta gente nunca nos faltou, quando se tratava de indicar seu lado. O nosso lado, é o oposto deles, sempre.

O fechamento desta edição coincidiu com o falecimento de Plínio de Arruda Sampaio (1930-2014).

Esquerda Petista se incorpora às homenagens feitas pelos familiares, amigos, companheiros de luta e adversários honestos.

Os editores

Ps. Entre os vários erros cometidos na primeira edição desta revista, há um já corrigido na versão digital que precisa ser mencionado aqui: a companheira Karen Lose é coautora do texto “Luta feminista e luta de classes”.


Ps2.A terceira edição de Esquerda Petista circulará após as eleições de 2014.

http://www.pagina13.org.br/publicacoes/saiu-o-n-2-da-revista-esquerda-petista/#.U8PaZZRdXrA