quinta-feira, 14 de julho de 2016

Wladimir Pomar: Textos e contextos

Por ocasião dos 80 anos do Wladimir Pomar, a Editora Página 13 lança o livro Textos e contextos.
Organizado pelo historiador Rodrigo César, Textos e contextos contém:
*uma entrevista concedida em 2011 por Wladimir Pomar aos historiadores Alexandre Fortes, Jean Rodrigues Sales e Paulo Fontes,
*textos escritos por pessoas que conviveram com Wladimir Pomar no PCdoB, na prisão, no PT e no Instituto Cajamar.
*um catálogo de 1285 textos escritos por Wladimir Pomar. Sendo que a íntegra dos textos relacionados está disponível em formato digital no endereço wladimirpomar.com.br.
As pessoas interessadas em adquirir a versão digital (formato pdf) do livro textos e contextos devem escrever para o endereço wladimirpomar80anos@gmail.com
As pessoas interessadas em encomendar a versão em papel do mesmo livro (que será lançada no dia 27 de agosto, em Campinas), podem escrever para o mesmo endereço.
Em tempos de catarse, quem escrever será convidado a fazer uma pequena contribuição para a causa.

sábado, 9 de julho de 2016

Texto em debate

(Texto ainda em análise pela Dnae)

A primeira batalha de uma nova guerra

A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda, reunida no dia 16 de julho de 2016 na cidade do Rio de Janeiro, realizou um debate sobre a conjuntura e aprovou a seguinte resolução.
1. Em agosto deve encerrar uma etapa da história recente do Brasil. Em qualquer dos casos – legalidade ou golpe — terá início um novo período, em que a relação entre as forças políticas, as instituições e as classes sociais, bem como a relação do Brasil com o mundo serão substancialmente distintas daquilo que prevaleceu durante a maior parte dos governos Lula e Dilma.
2. As forças golpistas manifestam plena consciência disto. Desde o início de sua interinidade, Temer e a quadrilha que o cerca não tiveram o menor pudor em comportar-se como uma tropa de ocupação.
3. A começar pela composição do ministério (na sua maioria homens brancos, ricos e corruptos), passando pelas declarações públicas (um festival reacionário de besteiras), até as medidas concretas de corte de políticas sociais, benefícios para o grande capital e seus sócios internacionais, realinhamento com os Estados Unidos e afastamento de nossos aliados latinoamericanos e do BRICS, o governo Temer não deixa a menor dúvida de que está a serviço de um retrocesso em todos os terrenos, que ameaça não apenas o que foi feito desde 2003, mas as conquistas inscritas na Constituição de 1988, assim como os avanços obtidos nos anos 1950 (a Petrobrás) e 1930 (a CLT).
4. Noutras palavras, o governo golpista confirmou o que dizíamos desde o início: não estamos diante de um golpe contra o PT, Dilma e Lula, mas diante de um golpe contra os interesses da maioria do povo brasileiro, contra nosso bem estar, nossas liberdades democráticas, contra nossa soberania nacional e nossa política externa. Golpe que se tiver pleno êxito, consumando o impeachment, nos fará entrar em uma nova etapa da história do Brasil, profundamente diferente da que vivemos desde 2003.
5. Enquanto as forças golpistas têm clara consciência de seus objetivos estratégicos e buscam acomodar suas divergências táticas sem ameaçar sua perspectiva comum de médio e longo prazo, entre as forças democráticas e populares cresceram as divergências de natureza tática e estratégica, o que por sua vez tem contribuído para reduzir a mobilização contra o golpe.
6. Um exemplo destas divergências é a demora em divulgar uma carta ao povo brasileiro na qual Dilma afirme que, voltando ao governo, implementará o programa vitorioso nas urnas de 2014, não  havendo o menor espaço para políticas de ajuste fiscal, que descarreguem sobre os trabalhadores a conta da crise. A demora em divulgar esta carta revela a existência, em alguns setores da esquerda, de pessoas que não entenderam os motivos pelos quais amplos setores da classe trabalhadora não defenderam e seguem não defendendo nosso governo. Revela, também, que existem na esquerda aqueles e aquelas que acreditam que, comprometendo-se com a permanência de Henrique Meirelles, aumentariam nossas chances de retornar à presidência.
7. Um segundo exemplo destas divergências foi a divisão dos setores antigolpistas, quando da eleição do presidente da Câmara dos Deputados. A renúncia de Eduardo Cunha visava eliminar um foco de desgaste, ao mesmo tempo em que construíam uma saída que o preserve parcialmente, em troca de evitar uma “delação premiada” com potencial de devastar Temer e toda a quadrilha golpista. Neste contexto, setores do PT e do PCdoB optaram desde o início pelo apoio ao deputado Rodrigo Maia (DEM), conhecido golpista e neoliberal. Para além do cretinismo parlamentar (postura caracterizada por definir a tática parlamentar como se o mundo começasse, terminasse e se resumisse ao parlamento), a decisão tática de apoiar Rodrigo Maia foi motivada por uma estratégia que visa alcançar algum tipo de acordo parcial com um setor do golpismo, tendo como prêmio máximo a cassação de Cunha. Ou seja: insiste-se, mesmo depois de tudo o que aconteceu, na mesma estratégia de conciliação com setores da direita que preparou o terreno para o impeachment.
8. Outro exemplo destas divergências é a realização de alianças com partidos golpistas, para disputar as eleições municipais de 2016. Novamente, como no cretinismo parlamentar, a realidade é reduzida a apenas uma de suas partes (no caso, as eleições locais) e a definição da política de alianças é feita como tantas vezes se fez nos últimos anos: como se o cenário estratégico não tivesse se alterado, como se fosse possível resistir à ofensiva inimiga e acumular para uma contraofensiva fazendo este tipo de aliança, que impede tornar nítidas para a classe trabalhadora as diferenças que estão em jogo.
9. Mais um exemplo destas divergências é a defesa desde já, antes da votação do impeachment no Senado, de uma proposta de antecipação das eleições presidenciais. Como já dissemos várias vezes, caso o impeachment seja aprovado, será necessário debater como impedir que o governo golpista cumpra um mandato para o qual ele não foi eleito. E para isto, uma campanha pelas “diretas já” está entre as alternativas que devem ser analisadas. Entretanto, fazer isto antes da votação do impeachment significa dizer que nós estaríamos de acordo em encurtar o mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff. Portanto, mais uma vez estamos diante de uma proposta que visa fazer um acordo com setores do golpismo, à custa de concessões de princípio de nossa parte.
10. As divergências estratégicas e táticas existentes entre os que lutam contra o golpe são um fato. Em algumas situações, elas não impediram que o movimento contra o golpe ampliasse sua mobilização. No momento atual, entretanto, as divergências vêm contribuindo para reduzir a potência da mobilização social organizada. Ao mesmo tempo, é importante dizer que cresce o repúdio ao golpismo e seguem ocorrendo intensas manifestações isoladas ou coletivas de escracho.
11. Se por um lado cresce a indignação molecular contra o governo golpista, por outro lado a mobilização organizada está refluindo. Por isto, mas também porque há uma sólida decisão do grande capital e da direita de tirar o PT do governo federal, reduzir ao máximo a força eleitoral e a capacidade de mobilização do partido, a tendência principal continua sendo que o Senado aprove, no mês de agosto, o impeachment.
12. A partir desta constatação, os setores contrários ao golpismo debatem alternativas. Alguns setores acreditam na negociação direta com senadores golpistas. Outros defendem uma "alternativa política" que ganhe o apoio de parcelas importantes da população que são contra Temer, mas não querem a volta da presidenta Dilma (e do PT). Há, ainda, os que argumentam que não há mais condições de derrotar o impeachment, deduzindo daí que seria necessário criar o ambiente para algum tipo de negociação e convivência com os golpistas.
13. Outros setores da Frente Brasil Popular, particularmente a UNE e o PCdoB, mas também a Frente Povo Sem Medo, alguns senadores e inclusive tendências petistas, como a Democracia Socialista, têm defendido um caminho alternativo: o "plebiscito pela antecipação das eleições presidenciais" (a esse respeito, ver resolução “A posição da AE sobre a proposta de plebiscito”). Alguns setores minoritários argumentam em favor do “fora todos”, embora a recente cisão no PSTU tenha revelado o enfraquecimento desta postura maximalista (e similar à da ultradireita).
14. A Frente Brasil Popular, particularmente a CUT, o MST, a CMP e o PT, vem insistindo que só a mobilização pode barrar o impeachment; que o principal caminho para a mobilização popular está na defesa dos direitos ameaçados pelo golpismo; e que a presidenta Dilma pode contribuir com isto assumindo o compromisso de, voltando ao governo, implementar o programa vitorioso em 2014.
15. Não descartamos que a votação no Senado possa ser afetada por algum efeito colateral da Operação Lava Jato (ou melhor, de alguma das frações que operam esta operação policial-judicial). Mas mesmo neste caso, uma solução favorável ao povo dependerá da existência de uma intensa pressão organizada.
16. Neste sentido, o crescimento da mobilização popular será mais fácil caso a presidenta divulgue uma "carta ao povo brasileiro" explicando o que fará quando voltar, reconhecendo os erros de condução na política econômica e na política de alianças, assumindo o compromisso de desfazer os malfeitos dos golpistas e defender os direitos ameaçados.
17. A política de ajuste fiscal, que em determinado momento foi apoiada por diversos setores da esquerda, produziu efeitos danosos, que nos fizeram perder apoios na classe trabalhadora, criando a correlação de forças que possibilitou a vitória do golpismo.
18. O caminho para lidar com os desgastes provocados pelos erros (políticos e de política econômica) será longo e demorado. Este caminho terá que ser trilhado, mesmo que consigamos reverter o golpe no Senado, caso em que teremos que construir uma governabilidade de novo tipo.
19. O primeiro passo para lidar com os erros cometidos é colocar toda nossa energia na mobilização popular em defesa dos direitos ameaçados pelos golpistas, pela adoção de uma política econômica que gere empregos, crescimento e distribuição de renda, e por uma reforma política profunda que impeça a representação política de ser uma simples representação de interesses empresariais e corruptos.
20. A retomada da campanha por uma Constituinte exclusiva para realizar a reforma política integra o conjunto de ações que podemos implementar para reconectar nossos vínculos com a classe trabalhadora, especialmente com aqueles setores que estão desiludidos com o modus operandi da política nacional.
21. Reconstruir os vínculos da esquerda brasileira com a classe trabalhadora é a mais estratégica de nossas tarefas. O que só ocorrerá se, entre muitas outras ações, fizermos uma autocrítica profunda dos erros programáticos e estratégicos cometidos nos últimos anos, inclusive na política econômica, na política de alianças e na ausência de uma política estrutural de combate à corrupção, que nos deixou desamparados para enfrentar a ofensiva da direita neste terreno.
22. É com esta postura que seguiremos participando da luta contra o golpe, das inúmeras mobilizações sociais que estão em curso, das eleições municipais de 2016, assim como do Encontro Nacional do PT convocado para os dias 9, 10 e 11 de dezembro de 2016.
23. As mobilizações sociais, organizadas ou não, vão prosseguir, sob as mais variadas formas. Podemos contribuir, com nossa atitude, para que elas ganhem mais força. E parte de nossa atitude é não subestimar a existência, nos setores populares da sociedade brasileira, de energias imensas que buscam expressão política.
23. Por isto é fundamental não cometer o equívoco de confundir, desrespeitar e, no limite, trair o sentimento democrático que se mobilizou contra o golpe, como fazem aqueles que pensam em negociar com os golpistas, com seus aliados na Câmara e/ou fazer chapas com os partidos ou lideranças golpistas para disputar as eleições de 2016.
24. Do mesmo modo, é fundamental não incorrer no erro de achar que a crise política vai resolver-se em 2018, através das eleições presidenciais. Os acontecimentos desde 2013 até hoje vêm demonstrando que mudou a dinâmica da luta política no país e também no mundo.
25. A principal variável da atual conjuntura internacional é o agravamento da crise, em suas múltiplas dimensões: econômica, social, política – o que explica a crescente polarização ideológica, bem como a escalada de conflitos militares, em todas as partes do planeta.
26. Tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, cresce a presença de forças políticas de ultradireita, em alguns casos de assumida orientação fascista. Um quarto de século depois do desaparecimento da União Soviética, o mundo assiste ao reaparecimento de ameaças que se fizeram sentir no período das guerras mundiais, no início do século 20.
27. A esquerda vem resistindo, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Mas até o momento essa resistência é limitada. Nos EUA, por exemplo, a candidatura Sanders confirmou existirem condições para romper com os paradigmas tradicionais das eleições naquele país. Entretanto, os setores majoritários da esquerda nos Estados Unidos não constituíram até hoje uma alternativa político-eleitoral independente, tornando-se agora reféns e inclusive apoiadores de uma candidatura da direita supostamente civilizada, conhecida lobista de Israel e fiadora dos recentes golpes na América Latina.
28. Na Europa, os setores majoritários da esquerda criticam os rumos da União Europeia, que segue controlada pelo grande capital, causando danos aos direitos sociais e às liberdades democráticas da classe trabalhadora europeia, além de engajar a UE na política imperialista dos EUA. Mas a maioria da esquerda europeia não cogita outra hipótese além da "reforma democrática" da UE. E como essa reforma democrática nunca acontece, o terreno fica livre para que a direita nacionalista hegemonize amplos setores da classe trabalhadora que sofrem o desmantelamento de seus direitos.
29. O Brexit (saída da Inglaterra da União Europeia) é o resultado desta tendência contraditória: por um lado, uma decisão em que teve importante peso a influência da direita; por outro lado, um protesto de amplas camadas do povo contra o caráter neoliberal da União Europeia. Para impedir o avanço da direita, a esquerda europeia deve mudar sua orientação política. Talvez esta seja a única maneira de materializar a palavra-de-ordem “outra Europa é possível”: desmontando a realmente existente.
30. Na América Latina prossegue a contraofensiva reacionária. Neste momento, retomado o governo da Argentina, seus dois principais alvos são a Venezuela e o Brasil. Noutros países, como Equador e Bolívia, a direita também arma o cerco. No caso da Venezuela, combinam-se o cerco externo e a ofensiva interna. A esquerda venezuelana está diante da difícil tarefa de, ao mesmo tempo, superar a crise econômica, em especial o desabastecimento, e evitar as provocações da direita, que tem como objetivo ganhar as eleições pelo cansaço ou empurrar o país para algum tipo de guerra civil e regime de exceção.
31. No caso do Brasil, a instabilidade política (por razões internas e externas, políticas, jurídicas e econômicas) vai continuar e tende a se agravar, aconteça o que acontecer no Senado, nas Olimpíadas e nas eleições municipais de 2016. Devemos estar alertas, especialmente nas Olimpíadas, para provocações visando “justificar” o uso da Lei Antiterrorismo. A recente propaganda da ABIN falando de como "identificar" um possível terrorista é um dos muitos sinais disto.
32. É neste contexto difícil que vamos realizar o próximo Encontro Nacional do PT, sobre o qual expressamos as seguintes posições:
a) a direção do PT deveria ter convocado este Encontro há mais tempo;
b) a direção do PT deveria ter aceitado, desde o início, realizar este encontro com delegados e delegadas eleitos diretamente pela base;
c) a direção do PT precisa ser convencida a aceitar que este Encontro se realize com delegados eleitos pelo sistema de encontros, inclusive com delegados eleitos diretamente pela base (sem passar pelo filtro das tendências e mandatos), e não pelo sistema do PED;
d) igualmente, a atual direção do PT precisa ser convencida da necessidade de que este Encontro possa eleger uma nova direção para o Partido;
e) este Encontro não é o fim, mas o início de um processo de “reprogramação” do Partido dos Trabalhadores, um momento em que a “Nação Petista” comece a recuperar o controle do “Estado Petista”, em que possamos realizar um balanço de nossa trajetória e construir uma nova estratégia e um novo padrão de funcionamento para o novo período.
33. Para que este Encontro tenha êxito, será necessária uma intensa cooperação entre os setores do petismo que estão comprometidos com uma análise crítica da trajetória seguida até aqui e, principalmente, comprometidas com a construção de uma nova estratégia, de um novo padrão de funcionamento e com o resgate de nossa relação com as bases sociais do Partido, especialmente com a classe trabalhadora.
34. Há várias maneiras de materializar esta cooperação, desde a votação de normas democráticas para a eleição das delegações, a composição de chapas, as atividades comuns entre as diversas chapas, a aliança nas votações e, acima de tudo, a criação de um ambiente interno e externo que aponte para uma mudança na direção seguida até aqui pelo PT.
35. Para contribuir com estes objetivos, a tendência petista Articulação de Esquerda apresentará, para debate neste Encontro, seja com base nas regras atuais, seja com base em novas regras que esperamos conseguir aprovar, três documentos: um deles de balanço da trajetória partidária; outro tratando do programa, estratégia, concepção e construção partidária; e um terceiro tratando da conjuntura internacional, regional e nacional, bem como nossas tarefas táticas, inclusive eleitorais.
36. Sem prejuízo de reavaliar esta decisão à luz da movimentação e da posição de outros setores do Partido, organizaremos, com base nestes documentos, uma chapa para eleger delegados e delegadas a este Encontro. Entendemos que é melhor para o Partido que cada setor apresente suas próprias posições e que a síntese seja feita no debate público e não em negociações prévias.
37. Além disso, nosso gesto visa estimular que o atual grupo majoritário reconheça a existência, no seu interior, de diferentes correntes políticas, algumas profundamente contraditórias entre si. E que faria bem ao Partido se cada uma destas correntes lançasse sua própria plataforma e debatesse sem constrangimento suas posições.
38. Em nossa opinião, a experiência do Partido dos Trabalhadores corre risco de vida. Este risco não é causado principalmente pela ofensiva da direita, nem tampouco pelos concorrentes de esquerda. O que ameaça a sobrevivência do PT são, sobretudo, os erros cometidos pelo petismo ou por setores dele. Ao petismo cabe corrigir seus rumos ou correr o risco de viver a agonia que outros partidos de esquerda viveram, no Brasil e no mundo.
39. De nossa parte a decisão está tomada há tempos: seguiremos lutando para que o PT altere sua linha política, saia mais forte da presente crise e cumpra seu dever na luta por um Brasil democrático, popular e socialista.
40. Por fim, convocamos o conjunto da militância a engajar-se nas atividades convocadas pela Frente Brasil Popular, entre as quais citamos:
a) fortalecer o esforço de traduzir o golpe para a população, explicitando o programa e as medidas do governo golpista;
b) intensificar a panfletagem massiva do panfleto da Frente Brasil Popular durante o mês de julho, organizando a impressão nos estados, bem como brigadas de panfletagem;
c) reforçar as mobilizações nos estados e nas bases eleitorais dos Senadores que estão em disputa, em especial no DF, TO, MA, GO, RO, MT, AM, PI;
d) fortalecer ações setoriais em torno da defesa do petróleo, saúde e educação;
e) reforçar a convocatória da Greve Geral, através de ações nos espaços de trabalho e em plenárias de categorias e reuniões regionais;
f) realizar uma grande Mobilização Nacional pelo Fora Temer e de denúncia do Golpe, no Rio de Janeiro no dia 5 de Agosto, abertura das Olimpíadas, mobilizando além do RJ, os estados mais próximos para essa concentração.
g) realizar, durante toda a agenda das Olimpíadas, atos Fora Temer, inclusive nas cidades fora do RJ que também terão competições olímpicas: Belo Horizonte (Mineirão), Brasília (Estádio Mané Garrincha), Manaus (Arena Amazônia), Salvador (Arena Fonte Nova) e São Paulo (Arena Corinthians).
h) organizar materiais e atividades específicos para o diálogo com turistas e imprensa internacional;
i) realizar uma Jornada Nacional pelo Fora Temer no dia 9 de Agosto com marchas em todas as capitais, pois nesta data esta prevista a primeira votação no plenário do Senado;
j) realizar um ato nacional em Brasília no período da votação final no Senado, entre os dias 24 a 29 de Agosto.
41. O impeachment não é uma fatalidade, portanto, pode ser revertido, principalmente se encararmos a luta contra o golpe não como a última batalha da guerra antiga, mas como a primeira batalha de uma nova guerra.
Fora Temer! Nenhum direito a menos!

Rio de Janeiro, 16 de julho de 2016
Direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Sobre o Brexit

Estimado Marcelo Zero

Li seu artigo "Trágica decisão" (ver ao final) sobre o Brexit.

Concordo que se trata de uma decisão trágica.

Mas não concordo com teus argumentos.

Em primeiro lugar, não acho adequado o termo "irracional" para designar o que ocorreu, como não foi propriamente "irracional" a escalada de atos que desembocou na primeira e na segunda guerras mundiais.

Ao contrário: era óbvio que o comportamento da UE realmente existente daria nisto que deu.

A tragédia consiste, em parte, no fato de que não era este o desejo de parte dos envolvidos no processo. Mas havia e segue havendo uma lógica no processo.

Em segundo lugar, é óbvio que a direita teve protagonismo neste resultado. Mas a pergunta deveria ser: por quais motivos a direita protagonizou?

Repito aqui o que escrevi noutro momento: parte da esquerda europeia tem lutado por democratizar a UE. Mas quem tenta democratizar esta UE realmente existente tem sido geralmente tratado como foi o Syriza.

Apesar disto, a maior parte da esquerda europeia segue preferindo a UE do que o status quo ante (ou o desconhecido, dizem alguns).

A verdade é que a maior parte da esquerda europeia transformou a UE numa fronteira que não pode ser transposta. E no limite esta esquerda recua, como fez o Syriza.

O resultado é que a crescente insatisfação popular vem sendo disputada principalmente pela extrema direita. A oposição a UE realmente existente passa a ser dirigida pela extrema direita.

Vale dizer, entretanto, que há setores da esquerda, embora minoritários, que são contra a UE. Aliás, dizem as pesquisas que mais de 30% dos eleitores do Labour votou a favor do Brexit.

Acho que tratar este voto como irracional é analiticamente incorreto e politicamente desastroso. Pois o passo seguinte é... o quê? 

Considerar que estas pessoas não sabem votar? Negar seu direito ao voto?? Dar razão à burocracia de Bruxelas???

Voce argumenta que a decisão do Brexit não "tem o mais mínimo amparo nos fatos. Na realidade, tudo indica que o Reino Unido vai perder muito com essa decisão irrefletida".

Para sustentar esta tese, voce apresenta um conjunto de dados verdadeiros sobre mercados consumidores, investimentos, bilhões e trilhões. 

Mas voce desconsidera que, para grandes parcelas da população britânica, estes números não implicam em crescimento do bem-estar. Pelo contrário. 

Acordos como a Parceria Transatlântica são um grande negócio para o Big Business, certamente. Mas para parcelas do povo, não implicam em mais empregos e salários.

O mesmo pode ser dito da City. Sinceramente, se eu fosse britânico, não choraria pela City. Sendo brasileiro, muito menos.

O fato é que os "fatos" amparam várias hipóteses. 

Pode ocorrer, como voce acredita, uma piora na economia da Inglaterra. 

Mas também pode ocorrer um giro diferente (a la Noruega, como lembra o Pepe Escobar). 

Isto dependerá, entre muitas outras coisas, das decisõs que o povo britânico tome nas próximas eleições.

Veja os dados que voce mesmo assinala: "a participação do Reino Unido na UE agrega, anualmente, cerca de 90 bilhões de libras esterlinas à economia britânica, cerca de 6% do PIB. Para os lares britânicos, isso significa um acréscimo de renda de 3 mil libras esterlinas por ano. Perto disso, a contribuição líquida do Reino Unido para a UE, tão criticada pelos defensores do “Brexit”, não passa de 0,4% do PIB".

Pergunto: 3 mil libras esterlinas em média, certo? 

Portanto, há outras contas que devem ser feitas, para saber o impacto real da medida, no medio prazo, sobre a maioria do povo. 

O que não me parece aceitável é interditar o direito à autodeterminação, com base neste tipo de dado.

Pulo a parte das negociações da saída, onde acho que podem ocorrer surpresas (já tivemos outros plebiscitos e referendos desconsiderados). 

E passo a teu seguinte argumento: "saindo da poderosa UE, o Reino Unido perderá protagonismo internacional e tenderá a transformar-se num satélite europeu dos EUA".

Tenderá?

Como, tenderá?

O Reino Unido é um satélite dos Estados Unidos faz tempo. Pode continuar a ser. Mas não é o Brexit que deu origem à "raça" de primeiro-ministros poodle...

Quanto a Escócia, vejamos: a maior parte do eleitorado escocês rejeitou a independência, em 2014, porque tinha um pé na UE. 

Se agora o Reino Unido decide tirar seu pé da UE, a Escócia poderá tirar seu pé do Reino Unido. 

(E espero que a Irlanda do Norte se reúna com a Irlanda.)

E por qual motivo isto seria grave para nós? Pode ser grave para alguns interesses no Reino Unido e na Escócia, mas para nós (e para o povo destas nações) qual é mesmo o prejuízo??? 

Voce reconhece que tem razão quem critica "a burocracia de Bruxelas e a lógica financeira da integração". Mas diz que a "solução para esses problemas está na reforma democrática da UE, não em sua desintegração". 

Mas e se esta reforma democrática for impossível? Neste caso, voce concorda que faria sentido desintegrar a UE? 

Voce diz que "o Reino Unido não é a Grécia". 

Concordo. E, ironicamente, é por isto mesmo que se construiu uma maioria, ainda que pequena, a favor do Brexit. 

Entre outros motivos, as chantagens criminosas da troika contra os gregos causam menos efeito. 

Enfim, mesmo supondo que voce tenha razão e mesmo supondo que a decisão de sair foi tomada "com base nos sentimentos retrógrados e reacionários da xenofobia, do ódio aos imigrantes, do nacionalismo exacerbado e do medo quanto ao futuro", acho um erro considerar que estes sentimentos são irracionais e não tenham nada que ver com problemas reais dos trabalhadores, dos setores populares.

Pois, como voce mesmo diz, foi a "a população mais pobre da Inglaterra e do País de Gales" quem votou pelo Brexit. 

Eles poderão ser os mais prejudicados se, entre outras variáveis, a esquerda voltar as costas para eles e deixar que eles continuem sendo dirigidos pela direita.

A questão é que voce parece convencido de que a "economia britânica" é a "grande beneficiária da integração", não considerando devidamente outra questão: como estes benefícios se distribuem pelo conjunto da população. 

Por fim, dois comentários: 

1) se eu fosse inglês, acho que teria votado pelo Brexit.

2) não acho razoável comparar a UE com a integração latinoamericana ou sulamericana.

Um abraço

Valter Pomar

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Trágica Decisão
Marcelo Zero

Numa crise, o principal subproduto não é a queda do PIB. É, por assim dizer, a queda do QI, a derrocada da Razão.
Com efeito, nas crises os ânimos se acirram, as paixões se tornam extremadas e a racionalidade míngua. O aumento do medo e das incertezas leva ao aparecimento de aventureiros políticos, de “heróis” de ocasião, do fascismo e da xenofobia hidrófoba. Logo surgem as “propostas” simples e radicais que vão resolver tudo e as “soluções” moralistas e antipolíticas que prometem tirar os países da crise limpando a corrupção e colocando muita gente na cadeia. 
Nesse quadro de irracionalidade coletiva, muitas pessoas podem perdem aquilo que o neurocientista António Damásio chama de “memória do futuro”, isto é, a capacidade de planejar racionalmente seu porvir. Elas se podem se tornar incapazes de tomar decisões corretas e começar a agir por impulso. Por medo e por ódio.
Às vezes, isso acontece com parte da população de países inteiros. É o caso da Grã-Bretanha, que ontem, em referendo, aprovou o “Brexit”, a sua saída da União Europeia.
Trata-se de uma decisão que, embora legítima e democrática, é inteiramente equivocada. Ela não tem o mais mínimo amparo nos fatos. Na realidade, tudo indica que o Reino Unido vai perder muito com essa decisão irrefletida. 
Em primeiro lugar, o Reino Unido vai perder o acesso privilegiado que hoje tem ao mercado comum da UE. Trata-se de um mercado de 500 milhões de consumidores de alta renda, que movimenta cerca de US$ 16,6 trilhões por ano. Quase a metade das exportações britânicas de bens e serviços vai para esse mercado fantástico, sem pagar tarifas e com procedimentos aduaneiros simplificados. São ao redor de US$ 300 bilhões por ano que o Reino Unido consegue vender para o resto da Europa. Saliente-se que esse fluxo comercial intenso assegura ao Reino Unido a participação nas cadeias de produção europeias, pois dois terços dessas exportações (US$ 200 bilhões) são de bens intermediários. 
Em segundo lugar, o Reino Unido vai perder também o acesso que a UE negociou exitosamente com outros mercados. São 30 acordos comerciais que asseguram ao Reino Unido a entrada facilitada num mercado que movimenta, adicionalmente ao mercado comum da UE, mais de US$ 8 trilhões por ano. Observe-se que as negociações da Parceria Transatlântica, negociada entre a UE, os EUA e o Canadá, bem como as negociações com o Japão, prometiam expandir o mercado total para os produtos britânicos a um patamar de US$ 47 trilhões ao ano. 
Em terceiro, o Reino Unido deverá perder a sua condição de porta de entrada de serviços financeiros para a Europa. Com efeito, a City londrina faz a hoje a intermediação entre bancos estrangeiros, principalmente norte-americanos, e os bancos europeus. Mas só o faz por causa de sua participação na UE. Sem tal participação, a tendência é que essa intermediação financeira migre para o continente.  Há de se observar, a esse respeito, que os serviços financeiros empregam 4% da mão de obra do Reino Unido e são responsáveis por 10% do PIB da Grã-Bretanha.
Em quarto, o Reino Unido perderá investimentos. Quase metade (47%) dos investimentos diretos destinados anualmente à Grã-Bretanha provém da UE. Boa parte desse volume está obviamente condicionada à integração com esse bloco. 
Na realidade, os estudos econômicos mostram, sem deixar dúvidas, que a participação do Reino Unido na UE agrega, anualmente, cerca de 90 bilhões de libras esterlinas à economia britânica, cerca de 6% do PIB. Para os lares britânicos, isso significa um acréscimo de renda de 3 mil libras esterlinas por ano. Perto disso, a contribuição líquida do Reino Unido para a UE, tão criticada pelos defensores do “Brexit”, não passa de 0,4% do PIB. 
Assim, a tendência, com a saída da UE, é que a economia britânica encolha. Aliás, a BMW, que hoje detém as marcas da Rolls Royce, Mini e Land Rover, já avisou que deverá rever seus investimentos na ilha.
Os defensores do “Brexit” argumentam, porém, que tudo isso poderá ser renegociado. Poderá, mas não será fácil. O divórcio não deverá ser amigável, pois a UE não quer encorajar novas defecções. Pelo artigo 50 do Tratado de LISBOA, a saída da UE tem de ser aprovada condicionalmente pelo Conselho da Europa e pelo Parlamento Europeu. Haverá retaliações e as novas negociações para o acesso aos mercados perdidos poderão durar muito, redundando em incertezas econômicas e jurídicas. Observe-se que, no caso da Suíça, as negociações com a UE duraram 16 anos.  
Mas os prejuízos não são apenas comerciais e econômicos.
Há também o claro prejuízo geopolítico. Saindo da poderosa UE, o Reino Unido perderá protagonismo internacional e tenderá a transformar-se num satélite europeu dos EUA. Sozinho, o leão britânico é desdentado.
Poderão ocorrer, ademais, sérios danos políticos, no âmbito interno. Os escoceses, que votaram majoritariamente pela manutenção do Reino Unido na UE, poderão convocar novo plebiscito para sair da Grã-Bretanha e reingressar na Europa unida. 
Nada disso era necessário. Muitos criticam, com razão, a burocracia de Bruxelas e a lógica financeira da integração, que penaliza, nesses tempos de crise, as economias menores do bloco. Mas a solução para esses problemas está na reforma democrática da UE, não em sua desintegração. Ressalte-se que, no caso do Reino Unido, sua participação na UE tinha características privilegiadas e especiais, pois a Grã-Bretanha não participava da Zona do Euro e do Acordo de Shengen, entre outros vetores mais rígidos e questionados da integração. O país tinha, dessa forma, bastante flexibilidade em sua participação na integração europeia. O Reino Unido não é a Grécia. 
Assim sendo, a decisão de sair da UE foi tomada com base nos sentimentos retrógrados e reacionários da xenofobia, do ódio aos imigrantes, do nacionalismo exacerbado e do medo quanto ao futuro. Não foi uma decisão refletida e bem embasada. Políticos reacionários e inescrupulosos se aproveitaram do clima de insatisfação, medo e incerteza para fazer valer sua agenda retrógrada e protofascista. 
Paradoxalmente, a população mais pobre da Inglaterra e do País de Gales, que votaram pela exclusão apostando numa solução nacionalista e xenófoba para a crise, será a mais prejudicada com essa decisão. Eles serão os primeiros a ficarem desempregados quando a economia britânica, grande beneficiária da integração, começar a patinar ainda mais. E não adiantará expulsar os imigrantes. 
A decisão do “Brexit” foi trágica. Mas talvez não tenha sido a única. 
Na República de Bananas do golpe, o novo Chanceler ensaia o nosso “Braxit” do Mercosul, outra decisão irracional, baseada em ignorância, preconceito e noções retrógradas sobre política externa.
Os britânicos costumam dizer que o common sense (o bom senso) é o least common of the senses (o mais incomum dos sensos). 
No dia 23 de junho de 2016, esse adágio foi tragicamente confirmado.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Resposta ao texto de Ricardo Capelli

O companheiro Ricardo Capelli escreveu um texto onde responde as críticas que fiz a Aldo Rebelo.
Minhas críticas e as posições de Aldo estão aqui: http://valterpomar.blogspot.com/2016/06/o-que-e-isso-camaradas-sobre-as.html
A resposta de Capelli está reproduzida ao final, bem como alguns dos comentários feitos por quem leu o texto.
Capelli me desanca sem dó nem piedade. 
Me acusa de "esquerdismo infantil", "argumentos infantis", "agressões pueris", "caluniar e agredir", "presta serviço a direita". Além de me chamar de revolucionário entre aspas.
Tomei nota mas passo: esta técnica de debate é improdutiva e de péssimo gosto.

Capelli vai além: diz que o PT, Lula e seus dirigentes estão de braços cruzados frente ao golpe.
Obviamente Capelli sabe que os petistas estão mobilizados contra o golpe.
Assim, suponho que o que ele pretendeu dizer é outra coisa, a saber: na opinião dele, a tática adotada pelo PT não vai derrotar o golpe.
E qual a tática que Capelli acha que pode derrotar o golpe? Resposta: o plebiscito pela antecipação das eleições.
Esta proposta tem defensores em vários lugares, inclusive dentro do PT.
Existem várias maneiras de defender esta proposta de plebiscito por antecipação das eleições.
A maneira escolhida por Aldo Rebelo na entrevista ao jornal Valor revela, na minha opinião, todos os problemas e riscos embutidos na proposta.
A defesa que Capelli faz da proposta simplesmente omite todos estes problemas e riscos.
Além de não dizer uma palavra sobre a analogia que Aldo faz entre o momento atual, o plebiscito de 1963 e o golpe de 1964.
Analogia que, se aceita, implicaria aceitar um ponto de vista "revisionista" acerca das causas do golpe de 1964.

Portanto, no seu texto Capelli não defende a proposta de antecipação das eleições.
Parece que ele faz isto.
Mas na verdade o que ele faz é outra coisa: atacar a tática do PT (ou o que ele considera que é a tática do PT).
É uma técnica clássica, que vi Prestes adotar num debate em 1988, em Rondônia: perguntado sobre a baleia, ele respondeu que a baleia vivia no mar e passou a falar do mar. 
Quando terminou, parecia que ele havia falado da baleia. 
Mas ele só havia falado do mar.

Vejamos frase por frase.

Capelli diz que "fato concreto é que parte do PT não quer que Dilma volte. Aposta no quanto pior melhor. Aposta que ao deixar Temer e o exército inimigo marchando sozinhos no campo de batalha eles cairão por si só, pelos percalços do caminho, pavimentando uma volta triunfal da “nova oposição” liderada pelo PT e Lula em 2018".
Todo partido tem seus imbecis, portanto é sempre possível que exista alguém que se enquadre nesta definição. Mas falando francamente, não conheço ninguém que corresponda ao conjunto desta definição. Trata-se de caricatura, de um espantalho, mas não corresponde a um personagem concreto.

Capelli diz que "enquanto o inimigo avança para a batalha final da votação do impeachment em agosto, a proposta de Pomar é nos mantermos isolados no “Volta Dilma”, que não vira um voto no Senado e que não tem apoio popular". 
Eu não sei se Capelli estava presente na reunião da Frente Brasil Popular, dia 20 de junho, quando eu e a presidenta nacional do PCdoB abrimos o debate sobre a conjuntura. 
Naquela ocasião, deixei claro meu ponto de vista, que não é este afirmado por Capelli.
Repito aqui o que disse lá: cresceu a insatisfação com o governo golpista, mas a mobilização organizada ainda não cresceu o suficiente para derrotar o golpismo. Disto decorrem dois cenários fundamentais: ou o golpismo vence no Senado, mas a instabilidade continua; ou o golpismo perde no Senado, por outros motivos que não a mobilização popular. 
Afirmei que é exatamente devido a este cenário contraditório que surgem propostas como as do plebiscito. Entretanto, tentei demonstrar que o plebiscito por antecipação das eleições é uma armadilha. E que, na ausência de proposta melhor, acho que nossa tática deve combinar a luta contra o golpe (Fora Temer) pela mobilização em defesa dos direitos. Afirmei, também, que seria principalmente através da defesa dos direitos que poderemos reconquistar o apoio da classe trabalhadora e com isto criar as condições para derrotar o golpismo. 
Portanto, Capelli me atribui uma proposta que não é a minha. É também uma técnica antiga: voce atribui ao adversário uma proposta ridícula, espanca esta proposta e em seguida desfila em triunfo. 

Capelli diz que "a opção de Pomar é pelo isolamento e pela derrota. Uma visão esquerdista infantil que conduzirá o Brasil à uma violenta onda neoliberal. É a famosa visão: “Cairemos honrados, Derrotados, mas de Pé”, enquanto o povo será massacrado e direitos históricos suprimidos". 
Convenhamos: quem tenta conduzir o Brasil à uma violenta onda neoliberal é a direita. Atribuir isto ao esquerdismo, seja de quem for, é dar ao esquerdismo uma força que o esquerdismo não possui. Aliás, existem situações históricas em que -- não importa qual a tática adotada pelas esquerdas -- a direita nos impõe derrotas. Assim, embora possa ser bom para a luta política, nem sempre é exato atribuir a derrota às opções conjunturais deste ou daquele setor da esquerda.
Por outro lado, sempre devemos buscar saídas. Mas não podemos, nunca, adotar como suposta solução aquela do ditado: não sendo possível vencê-los, vamos nos unir a eles
Um dos erros da proposta do plebiscito pela antecipação das eleições consiste, na minha opinião, em que busca dividir o lado de lá fazendo uma concessão em algo fundamental. Noutras palavras, para derrotar os golpistas, adota parcialmente uma das premissas do golpismo: a de que falta legitimidade ao governo Dilma para exercer seu mandato até o final.

Capelli reclama que eu chego "a escrever que o Plebiscito teria validade depois da votação! Ora, se esta proposta é para tentar virar a votação, como defendê-la após a votação? Abre mão da disputa de Agosto de forma escancarada". 
Vou tentar explicar: se defendessemos agora o plebiscito, estaríamos aceitando em tese ser legítimo interromper o mandato da presidenta antes de 31 de dezembro de 2018. Ou seja: estariamos aceitando a legalidade e a legitimidade de um instrumento que não existe em nossa Constituição, a saber, o referendo revocatório. Portanto, a partir daí, nosso argumento teria que ser escrito assim: impeachment sem crime de responsabilidade é golpe, mas impeachment via plebiscito é democrático...
Inclusive por estes motivos acima, sou contra o plebiscito agora. Mas, se o Senado efetivar o impeachment, a situação muda qualitativamente. Por qual motivo? Porque neste caso estaríamos recorrendo a um instrumento que não está na Constituição, mas agora para abreviar o mandato de um presidente golpista.
Portanto, não se trata de "abrir mão da disputa de agosto". Trata-se de não abrir mão da legalidade.

Capelli diz que, "segundo Pomar, se voltasse condicionada a convocação do Plebiscito, “Dilma voltaria derrotada”. É impressionante a abstração completa da correlação de forças e da realidade concreta. Abstrai que estamos sendo seguidamente derrotados e que a volta de Dilma vinculada à convocação do plebiscito seria um revés para o projeto neoliberal em curso. Em resumo, para Valter Pomar, para “Dilma voltar com Plebiscito, MELHOR NÃO VOLTAR”. (??!!!?)
Peço aos leitores que verifiquem meus textos e tentem achar, em qualquer deles, a frase que Capelli me atribui entre aspas. Esta frase simplesmente não existe. Capelli coloca aspas numa frase, como se tivesse sido dita por mim. Acontece que eu nunca disse isto. 
Isto posto, vamos ao mérito: para que a volta da presidenta Dilma seja um revés para o projeto neoliberal, é necessário que ela volte em condições de interromper e reverter as medidas neoliberais. 
O problema é que Capelli mistura dois níveis de análise. No âmbito da política, sem dúvida o retorno de Dilma seria um revés para as forças golpistas. Mas no âmbito da economia, não é automático que o retorno seja um revés para o projeto neoliberal. 
Por isto, aliás, que a Frente Brasil Popular tem insistido junto a presidenta, para que ela divulgue uma Carta para o povo brasileiro, explicando quais medidas adotará em seu regresso. 

Capelli diz que eu teria afirmado que "o Plebiscito por Novas Eleições é o “Plano B de setores da Direita”. Qual Pomar? Aponte um? No planeta em que vivo li editoriais de Folha, Globo, Merval e cia dizendo que plebiscito por novas eleições são o verdadeiro Golpe que a esquerda quer aplicar. Curioso que, neste ponto de vista, Valter Pomar se alinhe com a linha editorial do PIG".
Novamente, Capelli me cita distorcendo as palavras.
O que eu disse foi: "Não admira que alguns considerem que esta proposta pode converter-se num plano B para setores da direita, especialmente aqueles que estão mais preocupados em manter Meirelles na Fazenda do que em manter Temer na presidência."
Ou seja. o plano A da direita é manter Temer. Mas se Temer desgastar-se demais, a direita pode recorrer a outras soluções. Uma delas é antecipar a eleição presidencial. Claro, se a direita optar por isto, não seria necessário plebiscito. Aliás, cá entre nós, o plebiscito é uma folha de parreira que setores da esquerda colocam para encobrir a proposta de antecipação das eleições.

Capelli diz que eu beiro "o ridículo ao dizer que Aldo Rebelo defende um certo “Marinismo”, um neologismo infantil criado por ele para dizer que entre a “esquerda pura que ele acredita representar(sic)” e a direita, Aldo estaria capitulando ao defender a terceira via da conciliação de classes." 
Novamente alerto que o método de citação de Capelli conduz a confusão. Pergunto: quem foi que disse a frase "esquerda pura que ele acredita representar(sic)"??? Eu não fui.
Isto posto, o termo "marinismo" não é meu. É do ex-governador Ciro Gomes. Sugiro ao Capelli que escreva um post dizendo, ao Ciro, metade das ofensas que dirigiu a mim. Vai ser divertido...
Mas o mérito é: o raciocínio de Aldo é todo baseado na lógica de superar a polarização. Esta é a mesma linha de argumentação de Marina e de muitos outros. No que toca ao Aldo, basta ler a entrevista concedida por ele ao Valor para confirmar isto.

Capeli me acusa de desconhecer "que o país vive um impasse óbvio que afeta objetivamente a vida do povo, bateremos 14% de desemprego já já, e que a tarefa da política é construir saídas para as crises, mediações possíveis dentro do mundo real. Posa de “revolucionário” quando na verdade presta serviço a direita.".
Eu acho que há várias definições possíveis para o que é política. O risco de alguma deles é que servem para justificar qualquer coisa. Por exemplo: "mediações possíveis dentro do mundo real". Se há várias mediações possíveis, qual o critério para escolher esta e não aquela?
Este deveria ser o debate entre nós. Eu acho que a "mediação" proposta por Aldo/Capelli não ajuda, desacumula, contém riscos. Ele acha que a "mediação" proposta por mim contém riscos, é perigosa etc. Isto é o debate de mérito, a tal análise concreta da situação concreta. A alternativa é a escolástica, o esgrimir de conceitos que podem ser mais ou menos corretos em tese, mas não dizem nada sobre o que fazer aqui e agora.
No concreto: para derrotar o golpismo, há dois caminhos fundamentais. Um deles é negociar com uma parte dos golpistas, oferecendo algo em troca (no caso, parte do mandato da presidenta). Outra é mobilizar as camadas populares em defesa dos seus direitos e vincular isto ao Fora Temer e a luta contra o golpe. 
O principal risco deste segundo caminho é não dar tempo. Os riscos do primeiro caminho são, entre outros: a) ser inviável em si, entre outros motivos por não existirem tantos senadores dispostos a mudar de voto; b) ser uma armadilha, em que abrimos mão de parte da legalidade, sem garantia nenhuma de que fazendo isto poderemos vencer; c) mesmo que dê tudo certo, resultar num governo tão fraco, que não conseguirá reverter as políticas neoliberais, nos conduzindo a... d) facilitar/pavimentar o caminho para um governo de direita consagrado nas urnas. 

Capelli afrma que eu "expressa, sem constrangimento, a fina flor do hegemonismo petista, ao considerar que qualquer saída fora do PT é capitulação."
Aqui Capelli quase se rende ao mais recente esporte nacional: espancar o PT. 
Evidentemente, há no PT e noutros partidos de esquerda gente hegemonista, assim como há gente que faz aliança com qualquer um. Não compartilho nenhum destes pontos de vista. 
Porém, defenso ser preciso tomar cuidado com o seguinte: há quem, a pretexto de combater o suposto ou real hegemonismo (melhor seria dizer exclusivismo) do PT, na verdade está buscando construir um arco de alianças em que a esquerda seja comandada pelo centro. 
Na minha opinião, a lógica política expressa na entrevista de Aldo Rebelo ao jornal Valor conduz a isto, ou seja, aceitar a hegemonia de outros setores político-sociais.

Capelli reclama das críticas que faço a Aldo no debate sobre a previdência.
O que tenho a dizer sobre isto neste momento é repetir o que já disse no texto atacado por Capelli: "Frente a uma pergunta imbecil do Valor ("O senhor acha que a esquerda custa a aceitar teses já pacificadas no resto do mundo em relação à Previdência?"), Aldo não se dá ao trabalho nem mesmo de citar a luta atual dos comunistas e da esquerda francesa., para demonstrar que não há nada de "pacífico" na questão previdenciária, em nenhum lugar do mundo. Pelo contrário, ele capitula integralmente aos pontos de vista da direita: "Já passou da hora de a esquerda aceitar a discussão da idade mínima e da convergência de regras para homens e mulheres na Previdência. A agenda da esquerda não pode se limitar ao multiculturalismo". 

Capelli diz que enquanto eu escrevia "teses desconexas", "Aldo Rebelo presidia a Câmara dos Deputados na maior ofensiva contra o então Presidente Lula"
Sinceramente, não sei o que dizer. Eu escrevi as tais "teses desconexas" há poucos dias. Aldo presidiu a Câmara há 10 anos. Como no caso das aspas, acho que Capelli as vezes escorrega na retórica. 
E,, na boa,  não sei no que ajuda, neste debate, dizer que "enquanto muitos dos Cardeais Petistas desertavam ou choravam como crianças no colo uns dos outros, dando como certa a queda de Lula, Aldo ocupava o front".

Capelli afirma que "o que Aldo afirmou, e foi distorcido por má fé, é que a esquerda deve enfrentar o debate da Previdência como forma de defendê-la, que a simples negação é a marcação de posição esquerdista e derrotada, que a direita ADORA."
Sempre há o risco de distorcer o que alguém disse, assim como sempre pode ocorrer que o Valor tenha editado a entrevista de maneira inadequada. Mas peço que seja relido o trecho abaixo, que está no texto criticado por Capelli:
(...) Aldo não está discutindo propriamente a história, mas sim opinando sobre o presente: ele quer e defende uma solução para a crise que implique em um pacto com a maioria do atual Congresso nacional.
Nas suas palavras. "Um novo governo daria ao eixo do Executivo uma âncora importante para a estabilidade. Os fatores que reduzem o coeficiente de legalidade e legitimidade do Executivo têm uma causa muito clara que é o afastamento da presidente e a ascensão do vice. É preciso encontrar na Câmara e no Senado os personagens que conduzirão este debate".
No fundo, trata-se de uma radicalização da chamada governabilidade institucional. 
No limite, aceita-se entregar o governo a quem tem maioria no parlamento.(...). 
Notem que nesta linha de raciocínio, a proposta de convocar um plebiscito tem uma só função: passar a impressão de que a decisão está sendo transferida para a soberania popular. Quando na verdade se pretende que o povo venha apenas dar legitimidade a um pacto prévio.
Prova disto é o seguinte comentário: "O impasse econômico dificilmente encontrará uma solução satisfatória enquanto o governo carecer de plena legalidade e de inconteste legitimidade, além da força e da autoridade conferida pela população. O impasse da nossa economia talvez seja mais profundo que as disfunções de nosso sistema político-eleitoral. Esse debate hoje torna-se mais difícil porque os atores que têm a possibilidade de nele intervir estão com dificuldade para agir. Há um problema importante a ser enfrentado na Previdência? Sim, claro, mas esta resposta só um governo com a força das urnas pode dar".
Ou seja: um governo forte para... fazer a reforma da previdência.
Aldo não apenas aceita que os reacionários majoritários no parlamento governem, ele está disposto a aceitar também o programa reacionário.

Capelli diz que " PT, Lula e seus dirigentes precisam decidir com URGÊNCIA se vão para o campo de batalha tentar derrotar o Golpe Neoliberal ou vão continuar de braços cruzados, esperando Dilma ser massacrada, para posar de vítimas enquanto o país é destruído, na ilusão INACREDITÁVEL de que voltarão triunfantes em 2018. Os Comunistas, que nunca fugiram da luta no Brasil, vão à guerra, não preocupados com o próprio umbigo, mas com a responsabilidade histórica de tentar salvar a nação num dos momentos mais conturbados de nossa jovem democracia".
Capelli acredita, sinceramente, que eu me oponho a tese do plebiscito sobre antecipação das eleições porque estou preocupado em primeiro lugar com o PT.
Evidentemente estou preocupado com o PT. Até porque uma eventual destruição do PT terá impacto sobre toda a esquerda brasileira e sobre a classe trabalhadora e sobre a esquerda latino-americana.
Mas minha oposição a tese do plebiscito está vinculada, como venho tentando demonstrar, a uma análise das implicações concretas desta proposta. 
E minha crítica a variante Aldo Rebelo desta proposta é que, na minha opinião, esta variante explicita todos os riscos contidos nesta proposta.
Capelli escolheu fazer, contra mim, um típico debate partidista. 
Equivocou-se triplamente. 
Eu sou petista, mas neste debate estou falando em meu nome pessoal. 
Minha crítica era a variante Aldo, não sendo extensiva ao conjunto do PCdoB. 
E, terceiro equívoco, ao desferir uma resposta tão cheia de preconceitos anti-petistas, Capelli confirmou várias das preocupações que me levaram a criticar a posição de Aldo.


Por fim:  Capelli talvez não saiba, ou talvez não concorde com isto, mas o fato de militar num partido comunista não converte as pessoas em revolucionárias ou comunistas. 
A trajetória do PC desde 1922 está cheia de casos em que pessoas muito importantes dentro do Partido passaram a defender posições antagônicas aos interesses da classe trabalhadora. 
Da mesma forma, o fato de alguém ser filiado a um partido denominado "dos trabalhadores" não garante que as posições desta pessoa sejam coerentes com os interesses da classe. 
Por isto debater é importante.
Por isto é importante debater com civilidade. 
Por isto certo nível de agressividade deve ser dedicada apenas aos inimigos.


Segue o texto de Capelli

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (RESPOSTA AO ESQUERDISMO INFANTIL DE VALTER POMAR NAS AGRESSÕES À ALDO REBELO)
Fiquei estupefato com os argumentos infantis e as agressões pueris desferidas contra Aldo Rebelo pelo petista Valter Pomar, em artigo onde tenta responder a uma sólida e importante entrevista concedida por Aldo ao jornal Valor Econômico. Na falta de argumentos sólidos para se contrapor a proposta de Plebiscito sobre Novas Eleições, defendida altivamente pelo PCdoB, escolheu caluniar e agredir, ao invés de argumentar.
O fato concreto é que parte do PT não quer que Dilma volte. Aposta no quanto pior melhor. Aposta que ao deixar Temer e o exército inimigo marchando sozinhos no campo de batalha eles cairão por si só, pelos percalços do caminho, pavimentando uma volta triunfal da “nova oposição” liderada pelo PT e Lula em 2018. E porque digo “por si só”? Porque enquanto o inimigo avança para a batalha final da votação do impeachment em agosto, a proposta de Pomar é nos mantermos isolados no “Volta Dilma”, que não vira um voto no Senado e que não tem apoio popular. A opção de Pomar é pelo isolamento e pela derrota. Uma visão esquerdista infantil que conduzirá o Brasil à uma violenta onda neoliberal. É a famosa visão: “Cairemos honrados, Derrotados, mas de Pé”, enquanto o povo será massacrado e direitos históricos suprimidos. Chega a escrever que o Plebiscito teria validade depois da votação! Ora, se esta proposta é para tentar virar a votação, como defendê-la após a votação? Abre mão da disputa de Agosto de forma escancarada. Vejam o que escreve:
“O argumento poderia ser 100% correto (do Plebiscito), caso o Senado já tivesse votado e aprovado o impeachment.”
Segundo Pomar, se voltasse condicionada a convocação do Plebiscito, “Dilma voltaria derrotada”. É impressionante a abstração completa da correlação de forças e da realidade concreta. Abstrai que estamos sendo seguidamente derrotados e que a volta de Dilma vinculada à convocação do plebiscito seria um revés para o projeto neoliberal em curso. Em resumo, para Valter Pomar, para “Dilma voltar com Plebiscito, MELHOR NÃO VOLTAR”. (??!!!?)
Afirma que o Plebiscito por Novas Eleições é o “Plano B de setores da Direita”. Qual Pomar? Aponte um? No planeta em que vivo li editoriais de Folha, Globo, Merval e cia dizendo que plebiscito por novas eleições são o verdadeiro Golpe que a esquerda quer aplicar. Curioso que, neste ponto de vista, Valter Pomar se alinhe com a linha editorial do PIG.
Beira o ridículo ao dizer que Aldo Rebelo defende um certo “Marinismo”, um neologismo infantil criado por ele para dizer que entre a “esquerda pura que ele acredita representar(sic)” e a direita, Aldo estaria capitulando ao defender a terceira via da conciliação de classes. Desconhece que o país vive um impasse óbvio que afeta objetivamente a vida do povo, bateremos 14% de desemprego já já, e que a tarefa da política é construir saídas para as crises, mediações possíveis dentro do mundo real. Posa de “revolucionário” quando na verdade presta serviço a direita. Expressa, sem constrangimento, a fina flor do hegemonismo petista, ao considerar que qualquer saída fora do PT é capitulação.
Segue atacando Aldo com afirmações onde propõe o
desconhecimento do Congresso Nacional e da correlação de forças objetiva. Vejam:
“Aldo não apenas aceita que os reacionários majoritários no parlamento governem, ele está disposto a aceitar também o programa reacionário. Pelo contrário, ele capitula integralmente aos pontos de vista da direita (reforma da Previdência)”
Enquanto o “revolucionário” escrevia teses desconexas como estas, Aldo Rebelo presidia a Câmara dos Deputados na maior ofensiva contra o então Presidente Lula. Arquivava, sob pressão monumental, mais de 20 pedidos de impeachment contra Lula e garantia uma travessia segura e serena para esquerda no auge do Mensalão. Enquanto muitos dos Cardeais Petistas desertavam ou choravam como crianças no colo uns dos outros, dando como certa a queda de Lula, Aldo ocupava o front.
O que Aldo afirmou, e foi distorcido por má fé, é que a esquerda deve enfrentar o debate da Previdência como forma de defendê-la, que a simples negação é a marcação de posição esquerdista e derrotada, que a direita ADORA.
O PT, Lula e seus dirigentes precisam decidir com URGÊNCIA se vão para o campo de batalha tentar derrotar o Golpe Neoliberal ou vão continuar de braços cruzados, esperando Dilma ser massacrada, para posar de vítimas enquanto o país é destruído, na ilusão INACREDITÁVEL de que voltarão triunfantes em 2018.
Os Comunistas, que nunca fugiram da luta no Brasil, vão à guerra, não preocupados com o próprio umbigo, mas com a responsabilidade histórica de tentar salvar a nação num dos momentos mais conturbados de nossa jovem democracia.
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33 Comments
Comentários
Alexandre Dias Lúcida análise, camarada Ricardo Cappelli!
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Dimas Silva valeu cappelli
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Nivaldo Santana Análise dura, porém correta.
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Frederico Araujo Jr. parabéns pelo belo texto.
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Eveline Augusto So posso recorrer ao " Um passo.em frente, dois atrás" essa doença infantil do esquerdismo... ♡♡♡♡♡¿¿¿¿¿¿
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Bruno Reis Da Silva Na lata! Eu postei essa semana Algo nesse sentido sobre a crítica dele ao PCdoB e a proposta que ele naturalmente ou por ignorância não concorda,que é a de nova eleição! Atitude ridícula e sectária dele e de sua corrente petista!
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Nelson Sales Esperar que o governo Temer caia de podre e "voltar triunfante em 2018"? — Para governar o quê?Um país destroçado e escravizado pelo imperialismo norte-americano e pelo pelo modelo neoliberal?
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Bruno Reis Da Silva Eles (alguns setores do PT e da CUT) que querem o quanto pior,melhor! Ridículos! A história cobrará esse ataque que chega a ser patético! Mobilizar que é bom pra barrar o golpe,nada!
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Edson Pistori Meio exagerado Capelli.
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Ricardo Cappelli Caro Edson Pistori, perto das agressões desferidas à Aldo, fui até equilibrado demais.
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Vinicius Wu Onde assino?
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Cassia Damiani Cappelli, muito bom, certeiro, e na exata medida. Exagerado e de desmedida ignorância história foi o texto do Valter. Parabéns, disse muito do que estava entalado na minha garganta.
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Marianna Ribeiro Foi perfeita a tua análise, camarada.
Os petistas vivem neste mundo de Alice onde o retorno de Dilma faria o Brasil voltar ao início da era Lula.
O PT, hoje, não consegue aglutinar nem mesmo a massa popular que o elegeu, pois há uma descrença enorme na política partidária que atinge fortemente o próprio PT.
É muita miopia política desse partido.

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Claudio Langone Concordo integralmente com tua análise, Ricardo Capelli!
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Breno Altman Desculpe, caro Ricardo Cappelli, mas teu tom esta vários decibéis acima do adotado pelo Valter Pomar, se tua preocupação é com um debate fraterno e civilizado.
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Ricardo Cappelli Desculpe, caro Breno Altman, civilizado afirmar que Aldo "capitula integralmente aos pontos de vista da direita???" Sinceramente......fui até equilibrado demais
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Luiz Manfredini Concordo com Capelli. Mas lamento que os debates na esquerda costumem ser quase sempre demasiado agressivos, misturando argumentos com xingamentos. De parte a parte.
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Breno Altman Amanhã, Ricardo Cappelli, com a cabeça fria, releia teu texto e veja se não encontra expressões várias vezes mais pesadas que as de Valter, contra ele e contra o PT.
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Leomar Duarte Leomár. Duarte. Eu. Entendo p de política. Mas pelo li. teu. Comentário p. Min. Estais. Certo no teu. Comentário.
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Ricardo Cappelli Amanhã, Breno Altman, avalie de forma mais multilateral e verás que o PT começou a agredir o PCdoB pelo fato dos comunistas defenderem posição própria. Vide artigo semelhante publicado pela CUT nos atacando. Não tenha dúvida. Responderemos a cada agressão.
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Breno Altman O PT começou a agredir o PC do B? Caríssimo Ricardo Cappelli, pode ser que um artigo ou outro saia do tom, mas essa generalização me parece absurda. Seria o mesmo que tomar teu post como referencia e dizer que o PCdoB está atacando o PT, não? Acho, sinceramente, que você ficou desgostoso com o artigo do Valter, perdeu um pouco a mão na resposta e está criando um trovão onde não tem nem uma bombinha de São João.
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Marcio Marques O PT erra repetidamente.
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Marcelo Fernandes Cuidem do debate Valter x Aldo e deixem o PT fora disso, Valter não está falando pelo partido, essa é uma posição pessoal!
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Ricardo Cappelli Ok Breno Altman, não sabia que Valter Pomar e a CUT não representavam nada no PT. Novidade pra mim. Óbvio que não quis generalizar, nem atacar o PT como um todo. Mas é sintomático como alguns petistas tem subido o tom. E não fiquei desgostoso não, fiquei foi surpreso, pensei que fosse menos infantil.
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Jerônimo De Boni O Pomar é medíocre mas essa "tese" de plebiscito por novas eleições só tem tem duas explicações: o marinismo, ou uma inocência sem precedentes.

1º - A constituição não traz essa alternativa, o que poderemos assistir é mais uma eleição indireta pelo congresso se o "nem temer, nem Dilma" vigorar.

2º Essa tese não saiu das bases , pois delas o PCdoB já se afastou a muito tempo para cumprir a conciliação de classes do PT.

3º Um plebiscito por novas eleições teria um resultado vexatório para o enterro público de Dilma, que tem defeitos, mas merece todo respeito pela sua trajetória de luta pela democracia deste país. Jogá-la aos tubarões como tática é desumano.

4º Na atual correlação de forças, novas eleições teriam a única função de legitimar um governo que vai implodir as conquistas e entregar o país.

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Pedro Cross Achei a entrevista do Aldo ruim, mas é sem dúvida um tanto mais realista na leitura do momento atual que a resposta do Pomar.
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Paulo Adolfo Nitsche O plebiscito não é "por novas eleições". É para saber se o povo quer uma nova eleição presidencial ou aceita o calendário eleitoral normal, com Dilma, até 2018.
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Marco Rocha A diferença entre ser comunista e social democrata... a velha e boa História !
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Preto Zeze Das Quadras Zeze Das Quadras Dificuldade é que grande parte de setores petistas não compreendem o novo e diverso mundo que emergiu pos lulismo / Dilma. E aí tem dificuldades tremendas de aceitar que não serão mais hegemonistas na esquerda e no campo progressistas !
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Teresa Ribeiro Concordo com Breno Altman. Menassss Ricardo. Sou PT e não concordo C os exageros do texto. pCDoB merece todo nosso respeito.